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Genômica nutricional: o que o teste mostra (e o que não mostra)

O teste genético de nutrição ficou popular, e com ele vieram promessas de 'dieta do DNA'. Como nutricionista com especialização em genômica nutricional, eu explico neste guia o que perguntar antes de fazer, como ler um laudo e por que ele nunca vem sozinho.

Por Dra. Josy Dantas, nutricionista, CRN-3 96116 · revisado em

Retrato da Dra. Josy Dantas, nutricionista com especialização em genômica nutricional

Em 30 segundos

  • O teste lê algumas variações do seu DNA ligadas a nutrientes e ao metabolismo. Ele aponta tendências, não destinos.
  • Não é necessário para ter uma alimentação personalizada. Na maioria dos casos, a consulta e os exames de sangue bastam.
  • Pode acrescentar quando há uma pergunta clara que ele ajuda a responder.
  • O laudo só faz sentido lido junto com a sua história, sua rotina e seus exames.

Antes de fazer o teste, cinco perguntas

  1. Qual dúvida eu quero responder? Se não há uma pergunta concreta, o laudo tende a virar curiosidade.
  2. O resultado vai mudar alguma coisa no meu prato? Se a conduta seria a mesma com ou sem ele, talvez não valha agora.
  3. Quem vai interpretar comigo? Laudo lido sozinho, na internet, costuma gerar medo ou cortes desnecessários.
  4. Já fiz o básico? Sono, rotina, prato variado e exames de rotina vêm antes.
  5. O que o laboratório faz com os meus dados? Leia a política de privacidade: dado genético é sensível.

"O teste genético é uma lanterna a mais. Ele ilumina um canto da sala, mas a sala inteira continua sendo a sua vida."

Como eu leio um laudo

Um laudo de genômica nutricional costuma vir dividido por temas, com cores ou setas indicando "atenção". A primeira coisa que faço é tirar o peso dessas cores. Uma variação marcada em vermelho não quer dizer doença, nem que um alimento está proibido. Ela quer dizer que, naquele ponto, vale olhar com mais cuidado.

Depois, cruzo cada achado com o que já sei de você. Um resultado que sugere metabolização mais lenta da cafeína, por exemplo, ganha importância se você dorme mal e toma café à tarde, e quase nenhuma se você já não toma café. O mesmo vale para tendências ligadas à lactose, ao colesterol ou ao aproveitamento de algumas vitaminas: o que confirma ou descarta é o sintoma, o exame de sangue e a resposta ao ajuste.

Ilustração de uma mitocôndria em tons de verde
Imagem ilustrativa

Sinais de que uma promessa passou do ponto

  • Cardápio pronto gerado automaticamente a partir do DNA, sem consulta.
  • Promessa de emagrecimento rápido "porque agora você sabe o seu tipo genético".
  • Lista longa de alimentos proibidos para sempre.
  • Venda de suplementos "específicos para o seu gene" no mesmo pacote do teste.
  • Uso do resultado para diagnosticar doença. Diagnóstico é com o médico, e exige outros exames.

Quando o teste pode fazer sentido

Em situações específicas, conversadas na consulta: quando há um histórico familiar que preocupa e a pessoa quer priorizar cuidados, quando ajustes bem feitos não trouxeram a resposta esperada, ou quando existe uma dúvida concreta que o teste ajuda a esclarecer. Mesmo assim, a decisão é sua, e o trabalho continua o mesmo: comida de verdade, ajustada à sua vida.

Na consulta

Uso a genômica nutricional como uma ferramenta a mais para personalizar o plano, com ou sem teste. Se você já tem um laudo, traga para lermos juntas. Atendo em Jundiaí, em Alphaville e online; veja como funciona o atendimento. No site do consultório há uma página sobre genômica nutricional em Jundiaí.

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Perguntas frequentes

O resultado do teste genético muda com o tempo?

As variações do DNA que o teste lê são as mesmas a vida toda, então ele não precisa ser repetido. O que muda é a forma de usar a informação: a idade, a fase da vida, os exames e a rotina mudam, e a leitura do laudo acompanha essas mudanças.

Posso montar minha alimentação só com o laudo do teste?

Não é uma boa ideia. O laudo mostra tendências, não diagnósticos, e cada variação explica só uma parte pequena da história. Sem a sua rotina, seus exames e seus sintomas, é fácil tirar conclusões erradas, como cortar alimentos sem necessidade.

Preciso fazer teste genético para ser atendida?

Não. A maior parte do trabalho não depende dele. Quando o teste pode acrescentar algo, eu explico o porquê na consulta e a decisão é sua. Veja o guia de genômica nutricional.

A nutricionista substitui o médico?

Não. Diagnóstico, remédios e reposição hormonal são com o médico. Eu cuido da alimentação e trabalho junto com o tratamento que você já faz.

Quer conversar sobre a sua alimentação?

Marque um horário comigo, em Jundiaí, em Alphaville ou por videochamada. Segunda a sexta, das 8h às 18h, com hora marcada.

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